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Liberação do THC é mais polêmica do que a do canabidiol

O uso medicinal do THC, substância da maconha liberada na segunda-feira por decisão judicial, é mais controverso do que o do canabidiol — recentemente autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após longa polêmica. As duas substâncias, que estão entre os cerca de 400 derivados da maconha, teriam efeitos analgésicos e de relaxamento muscular. Mas enquanto o canabidiol é considerado relativamente inofensivo, o THC causa preocupação em setores médicos. Além de ser a substância que causa dependência da maconha, ele estaria associado a efeitos negativos para a saúde mental. Um dos críticos da decisão tomada pelo juiz Marcelo Rebello, que obriga a Anvisa a liberar o THC, é o deputado federal Osmar Terra, ex-secretário da Saúde do Rio Grande do Sul. O parlamentar sustenta que, além de não ter benefícios comprovados, a substância viciaria, causaria retardo mental e desencadearia quadros de esquizofrenia. — O efeito do THC, mesmo ingerido em separado, é devastador. Ele é muito diferente do canabidiol, que não tem dano importante e pode ser que cause um efeito positivo em doenças genéticas convulsivas. Com o THC não é assim, ele é a substância que vicia, que causa o dano todo da maconha. Tenho certeza de que o juiz que tomou essa decisão não conhece o assunto e está mal assessorado. É uma decisão sem sentido nenhum, que passa por cima do conhecimento científico — defende Terra. Maconha: é hora de legalizar? O presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Ângelo Campana, não vê grande diferença entre liberar o canabidiol e o THC — ele acredita ser pouco provável que esta última substância cause dependência na forma de remédio. Mas preocupa-se com o risco de que o uso medicinal seja uma etapa no caminho do uso recreativo. — Passo a passo, é uma forma de liberar o consumo da maconha. Primeiro vai liberando o subproduto. Com isso, a população começa a ver como remédio, como algo de pouco risco. E como a maconha fumada é mais potente, a pessoa acabará abandonando o uso via oral de remédio para fumar — observa. De acordo com Campana, só há evidência no momento de que o THC tenha alguma ação em quadros dolorosos decorrentes de certos tipos de câncer e no alívio de contrações musculares associadas à esclerose múltipla. — O que os oncologistas e especialistas colocam é que já dispõem de medicamentos eficazes e que não precisam disso, que não utilizariam o THC no tratamento — observa. Segundo a Abead, depois dos 21 anos de idade, a maconha não causaria impacto cerebral significativo, além dos efeitos imediatos de preguiça e indisposição para trabalho e relações sociais. Abaixo dessa idade, no entanto, ela afetaria a maturação cerebral, deixando sequelas definitivas. A possibilidade de liberação da droga preocupa a entidade, pelo entendimento de que não haveria o controle e a fiscalização do uso por parte dos jovens — a exemplo do que ocorre com o cigarro e com o álcool. Fonte: Zero Hora

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